Você não precisa ser selvagem na cama para ter sexo bom


Fetiches, posições mirabolantes, inspiração em cenas de cinema, movimentos que conseguem atingir determinados pontos erógenos, sex toys de última geração, vídeos pornôs... Às vezes há a impressão de que o sexo, para ser bom, precisa ter um toque de selvageria, de inusitado, de incomum, com mil recursos para a experiência ficar ainda mais excitante. É claro que as novidades são uma força motriz para a vida sexual, mas não se trata de uma regra nem de um conceito que se aplica a todo mundo.



Para Paula Napolitano, psicóloga e terapeuta sexual, de São Paulo (SP), há uma certa convenção social e cultural de que o sexo de qualidade é sempre muito enérgico e até performativo. "Isso é reforçado em filmes pornográficos, na mídia e nas redes sociais, e leva as pessoas a acreditarem que é preciso ter essa intensidade para ser bom. Essa imposição implícita funciona quase como uma 'ditadura do sexo', que mostra que, se não as pessoas não vivenciam o sexo assim, então ele é ruim. Porém, o que é bom ou não é algo relativo e varia de pessoa para pessoa e de casal para pessoa", declara.


Ainda conforme Paula, a busca frequente por mais emoção no sexo pode trazer alguns riscos, como a insatisfação constante, como se o que existe não é suficiente. Isso muitas vezes está relacionado a comparações injustas e distorcidas com o que é visto na TV, nos filmes pornôs, etc. "Muitos tendem a valorizar apenas o que não têm e erroneamente acreditam que não é necessário se dedicar para fazer um sexo gostoso", diz.


Na opinião de Rosely Salino, psicóloga, sexóloga e terapeuta de casais, de São Paulo (SP), os mitos e tabus existentes sobre o sexo são alimentados há séculos. Do total recato às fantasias desenfreadas, o comportamento sexual sempre despertou interesse, modismos e repressão. E, mesmo nos dias atuais, ainda existem as ditas 'regras': isso pode, isso não pode, etc...

Sempre digo que o melhor afrodisíaco, a melhor fantasia, o melhor acessório é a química entre os envolvidos. Se ela existe não é necessário nenhum incremento, a não ser que as pessoas decidam variar, inventar, experimentar", declara.


Já a sexóloga Danni Cardillo, especializada em Tantra e sexologia humanizada, prega que o sexo deve acontecer de maneira livre, não seguir um "script de fantasias". "O grande barato é ter as ferramentas teóricas, como o conhecimento do próprio corpo, e praticar quando lhe der na telha, até mesmo transformando aquela rapidinha numa transa com valor", fala. Para Danni, o modelo de "sexo selvagem" é mais uma exigência da sociedade patriarcal ditada pela indústria do sexo que vende pornografia e brinquedos eróticos, entre outros símbolos de consumo, que visa os ganhos ditando novos padrões de sexualidade humana. "Cabe às mulheres aproveitarem essas alternativas, até mesmo para quebrar a rotina, possibilitando novos prazeres orgásticos, mas sem invalidar o sexo tido como básico", pontua a especialista.


Aqui é bom ressaltar que o sexo "básico" para uma pessoa pode não ser considerado assim para outra - e que, independente do ponto de vista, pode ser, sim, excitante e prazeiroso. "Sexo gostoso de verdade é quando as pessoas conseguem estar 100% no momento, entregues à relação, sem pensamentos em outros lugares. Há uma troca, uma via de mão dupla, em que ambos estão focados nas sensações, na exploração do corpo como um todo e não pensando em seguir um roteiro com a obsessão de chegar ao orgasmo, por exemplo", afirma Paula.


Fonte Universa Uol