Dia do sexo: como funciona nosso cérebro durante a relação?



O dia 6 de setembro é marcado pela comemoração do Dia do Sexo. A palavra guarda muitos sentimentos e por que não dizer segredos? Pois é, a relação sexual pode provocar reações diversas no corpo humano. Mas para além do coração, como será que outros órgãos do nosso corpo reagem aos impulsos do sexo? Faço questão de explicar como o cérebro reage a uma relação sexual.


O sistema límbico, uma região mais primitiva do cérebro relacionada a emoção, é ativado durante o sexo. Outras áreas do córtex cerebral que governam o raciocínio superior, no entanto, "desligam". Como consequência, o ato sexual em si é impulsionado mais pelo instinto e emoção do que pelo pensamento racional. Na mulher, áreas ligadas à autoconsciência e à autoinibição também são desativadas. É essa desinibição que ajuda as mulheres a atingir o orgasmo.


Enxurrada de neurotransmissores

O sexo faz com que o cérebro libere níveis muito mais altos de neurotransmissores que ajudam a regular as atividades sexuais. O hipotálamo, que também regula a fome, a sede e as respostas emocionais, além da temperatura corporal, é responsável pelo aumento da dopamina. A ocitocina é um hormônio que atua como um neurotransmissor no cérebro, que aumenta com a excitação sexual e o orgasmo. Dito isso, vale lembrar que as mulheres podem ser mais conectadas emocionalmente após o orgasmo graças à oxitocina e vasopressina.

Ainda sobre as substâncias, sempre falo como a vasopressina promove sonolência. Isso pode refletir as diferenças de gênero, por isso, os homens, onde é mais significativa as mudanças desse hormônio, sentem mais sono após o sexo. Como a serotonina aumenta durante a relação, ela pode levar a sentimentos de felicidade e paz após a atividade. Pode ser útil no processo de qualidade cognitiva, principalmente se o sexo for feito de manhã.


Já a norepinefrina aumenta a excitação, a atenção e a energia, ativando o sistema nervoso simpático no cérebro. Ela é liberada para aumentar nossos batimentos cardíacos e nos despertar. Já no pós-sexo, ou seja, após o orgasmo, o cérebro libera a prolactina neuroquímica e diminui a dopamina. Essa mudança pós-sexo pode explicar por que algumas pessoas têm disforia pós-coito, ou sentimentos de tristeza após o sexo que são distintos de sentimentos de arrependimento ou solidão.

As mudanças químicas no cérebro não apenas tornam a experiência mais prazerosa, mas também têm valor evolutivo. O sexo é vital para nossa sobrevivência como espécie. Então faz sentido que o ato seja gratificante, prazeroso e nos torne menos vulneráveis ao desconforto físico que pode interromper o ato.

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Fabiano de Abreu Agrela Rodrigues, colunista do Mega Curioso, é PhD em Neurociências; mestre em Psicologia; site megacurioso